E enquanto no Rio de Janeiro, a capital cultural do Brasil, a estátua de Drummond é vandalizada pela enésima, vez, a França comemora o centenário de Claude-Lévi-Strauss. O Le Monde dá a notícia, e o New York Times tem uma reportagem sobre ele no caderno de livros. O melhor momento da reportagem é quando Lévi-Strauss reconhece alguns dos objetos em uma exposição, dizendo que eram dele, mas que ele teve de vendê-los para pagar um divórcio.

Quando eu estava na faculdade, O Pensamento Selvagem era o livro que separava os homens dos meninos.  O livro era tão denso quanto genial, descrevendo o pensamento não ocidental como iguamente complexo e sofisticado, capaz de comparações, classificações, em suma, de apreender a realidade de maneira às vezes mais rica do que a Enciclopédia Britânica. Mais tarde fiquei menos convencido da possibilidade de se falar de “o” pensamento selvagem, e confesso que perdi meu interesse pelo estruturalismo, tanto como forma de abordar o mundo quanto como jogo intelectual (parte da fascinação com pensadores franceses reside na possibilidade de discutir em bar). O livro que sobrevive melhor, para mim, é Tristes Trópicos, principalmente por aquilo que Lévi-Strauss diz logo no início que odeia tanto: o fato de ser um livro de viagens.