Os alemães têm um probema sério com camas. Eu ainda não entendi o que é, mas já estou sofrendo as consequências. Em primeiro lugar, o travesseiro: eles gostam daqueles travesseiros quadrados, enormes, super macios. Isso significa que o travesseiro não apóia sua cabeça apenas: metade do seu corpo fica inclinada, o que fica mais incômodo com o passar do tempo, pois o travesseiro começa a murchar e de manhã cedo você está em uma posição tão contorcida que até uma cobra acharia desconfortável.

Mas meu maior problema é com as camas: colchão excessivamente macio? confere! Cama com pedaços de madeira em uma posição que vai garantir que você vai se machucar em algum momento durante a noite? providenciado! Mas o pior é mesmo o fato de que ao invés de uma cama de casal eles gostam (ao menos aqui na universidade) de colocar duas camas de solteiro juntas, uma do lado da outra. Isso não é um problema quando estou sozinho, mas quando a Sra. Amiano vem aqui acaba que eu acordo durante a noite no vão entre as camas, com marcas no corpo por causa da madeira entre as duas camas (e isso explica a queda na natalidade na Alemanha…).

Então ontem a Liz e eu decidimos ir até a IKEA, o paraíso da classe média, para comprar um colchão novo. Como são duas camas, e não dá pra tirar os colchões que já estão lá, achamos melhor comprar um colchão que fosse de casal, mas fino, para colocar por cima dos outros. A IKEA mais próxima daqui de casa fica em Walldorf, uma cidadezinha muito simpática, próspera, e apenas uns 60 km daqui de Heidelberg. Nessas horas é que você vê como a vida é fácil por aqui. Pegamos o ônibus perto de casa, para ir até a estação de trem. O motorista, na hora de vender o bilhete, nos disse que o ideal era comprarmos um passe pro final de semana (8.50 ao invés de 4.10), e nós topamos. Na estação, fomos ao guichê de informações, onde a moça que falava inglês perfeito nos disse que era muito fácil ir aonde queríamos de ônibus, e nosso bilhete era válido para esse itinerário.

Compramos o bendito colchão. Já está lá em casa, e apesar de a madeira no meio da cama ainda incomodar eu já não acordo me sentindo como se alguém estivesse dando botinadas nas minhas costelas. Mas o que me faz dormir melhor mesmo é o fato de saber que nesse país até alguém que não tem o menor senso prático, como eu, e que não fala a língua (eu também), pode fazer quase tudo.