A praga de natal se instalou em Heidelberg. Todas as lojas de souvenir estão vendendo papais noéis, calendários do advento com chocolate (uma coisa que podia ser adotada no Brasil, cada dia um chocolate!), etc etc. É claro que isso tem que ter algum lado bom, e o ado bom é que aqui na praça central da cidade, a 300 metros do meu departamento, foi montada uma feirinha vendendo coisas de natal. Ou seja, de canecas a chocolates, enfeites pra árvores de Natal, um pouco de tudo.

A minha fraqueza, no entanto, são as barracas vendendo comida: pães com fruta cristalizada (o tipo de coisa que eu odiava no Brasil), cachorro quente, vinho quente, enfim. Nessa época do ano todo mundo reclama de como o Natal é comercializado, sempre tem algum especialista em história Romana pra nos lembrar que era uma festa pagã,* etc etc. Mas isso também é o espírito do Natal, comprar, gastar dinheiro, comer, beber, ficar alegre. Não tem dúvidas de que o “espírito nataino” está mercantilizado, mas mesmo para alguém que não acredita nestas coisas, ainda assim tem muitas coisas a se admirar nesta data. Tem poucas instituições que me causam mais repulsa do que a Igreja do Ratzinger, mas se até eu consigo ver as coisas boas que existem em alguns dos valores celebrados nessa época do ano, é por que deve ter muita coisa pra aproveitar mesmo.

* Utilidade pública: da próxima vez que alguém disser que o Natal não é uma invenção cristã, que é uma adaptação das celebrações de solstício de inverno, lembre o esnobe de duas coisas: durante boa parte da antiguidade o natal era comemorado em datas diferentes segundo a parte do Império, o que significa que o solstício é uma má explicação; o festival da Saturnália é a maior influência na forma como celebramos o natal. Solstício era comemorado até entre os celtas. Era na Saturnália que as pessoas trocavam presentes, celebravam o renascer, e faziam votos de felicidade.