O Globo: Lula usa palavra chula para falar da crise.

Josias/Folha: Apesar da crise, popularidade de Lula sobe para 70%

Hum… talvez porque quando você está fudido, não importa como o médico fala, mas sim que remédio ele prescreve…

Veja bem, uma coisa que me irrita demais no Lula é a celebração da ignorância. O presidente tinha ido a um encontro do Fundo Setorial do Audiovisual, no Rio, e lá anunciou que não leria o discurso preparado por seus assessores porque seria ‘a pessoa menos indicada para falar de audiovisual’. E assim deitou a improvisar sobre a economia. Boa notícia: Lula deve cortar o funcionalismo, porque não precisa de assessores. Ótima notícia: ele não vai mais falar de nada que não seja sua infância, o Corínthians, e sua empatia com os pobres e oprimidos, porque realmente, ele é a pessoa menos indicada para falar de todo o resto. Mas o que me irrita mesmo é essa idéia de que o presidente não pode usar os recursos intelectuais de que dispõe (os assessores! livros! jornais! internet!) para fazer um discurso que seja uma tomada de posição informada, relevante, e com todas as preposições (além de ‘se fudeu’ dito com todas as letras).  É o filistinismo em estado de graça.

Mas uma coisa que me irrita também é a celebração da burrice da oposição do Lula, imprensa incluída (e o PSDB e o PFL também).  Uma coisa que o presidente sabe fazer, por instito eu acho, é falar direto para a platéia que interessa. Ele não dá entrevistas, para não ser questionado. Ele não vai mais a estádios, com medo de ser vaiado. Mas vai a um evendo do Fundo do Audiovisual, onde a platéia é dócil, a imprensa não vai fazer perguntas, joga fora o discurso preparado e fala sobre o assunto quente do momento. Ele tem repercussão, garantida pelo uso de ‘se fudeu’, a mensagem é retransmitida pela imprensa cretina que fala do palavrão mas não lembra que ele não apontou medidas específicas e que ainda não entendeu o que está acontecendo (bom, ninguém entendeu). Ele não está errado: está certíssimo. No momento em que o presidente começa a falar sobre audiovisual, no Brasil, todo mundo muda de canal. Na hora em que ele diz que não vai falar disso porque não entende do assunto, e começa a falar de outro assunto que também não entende, mas que é crucial pro país, todo mundo presta atenção, apesar da contradição. E dá-lhe vulgaridade e generalidade, mas a mensagem é: vocês não estão sozinhos, o doutor aqui vai fazer tudo o que puder pra resolver esse problema.