Pelo que a imprensa diz, a situação na Itália é estarrrecedora. O La Repubblica está publicando updates frequentes. Já se fala de 50 mortos, dezenas de milhares de desabrigados. Até em Roma, que fica uns 100 km a Oeste, o tremor foi sentido. 6.3 pontos na escala Richter significa um terremoto forte, sentido a distâncias de até 160 km. O terremoto durou cerca de 30 segundos, e o governo local ainda está tentando organizar os serviços de socorro. Para deixar tudo pior, um técnico do serviço sísmico italiano havia anunciado a iminência de um terremoto alguns dias atrás, mas foi violentamente repreendido por seus superiores e pela mídia.

Updates:

1. O número de mortos subiu para 92; vai continuar subindo.

2.  No vilarejo de Onna, perto de L’Aquila, morreram 50 pessoas de uma população de 400.

3. O Guardian tem uma galeria de fotos impressionantes, especialmente esta de um carro à beira do que virou um precipício, mas antes era uma rua.

Addenda: Um dos problemas sérios da Itália, além da questão do mal governo, é de como os interesses da construção civil, do crime organizado, e do partido que chegou ao poder através de vitórias eleitorais avassaladoras estão ligados. O governo Berlusconi recentemente aprovou uma lei agilizando obras de ampliação de casas e edifícios em até 20% da área construída, o que terá um efeito devastador em áreas como Sardenha, Puglia, Sicília, etc, onde belezas naturais têm sido, desde os anos 60, destruídas pela arquitetura mais feia que o ser humano já conseguiu imaginar desde a fundação de Cabo Frio. Dirigindo pelo interior da Itália se vê uma série de edifícios inacabados, porque construídos sem seguir as regras de segurança da UE e mesmo da Itália. Um terremoto nesse contexto não é só uma tragédia anunciada: é também uma oportunidade de lucros espetaculares.