Depois de Oxford, Roma: fiquei lá por 2 semanas, dedicadas a esvaziar o apartamento onde a Liz e eu moramos por 4 anos, mandar todos os livros pro Brasil, e viajar para ver bases de estátuas. Esvaziar o apartamento não foi fácil. Além do lado ruim de fazer a mudança, que é sempre um saco, ainda tivemos que lidar com o lado emocional de deixar o lugar mais fantástico que eu já conheci: mais do que Roma, Garbatella, a área onde morávamos. Garbatella foi construída nos anos 20 e 40, para abrigar a população desalojada por dois dos maiores projetos urbanísticos do regime fascista: a construção da Via dei Fori Imperiali e da Via della Conciliazione. Ao invés da tradicional arquitetura grandiosa que associamos ao fascismo, aqui os arquitetos do Duce criaram um novo estilo arquitetônico, o Barrochetto Romano, combinando a idéia das cidades-jardim com os diversos estilos arquitetônicos encontrados ao redor de Roma. O resultado é espetacular: prédios de apartamentos baixos construídos ao redor de jardins, com muitas áreas comunais, os chamados lotes. Existe uma bom verbete na Wikipedia italiana aqui, com belas imagens.

Além de bonito, o lugar é legal por ser muito romano. É raro encontrar turistas ou estrangeiros, os acontecimentos da cidade normalmente são ignorados, as crianças brincam na rua, a igreja perto de casa tem pavões que vivem perambulando pela redondeza, e as tratorias são boas e baratas. Enfim, uma lástima.