Livraço: A Country Doctor’s Notebook, do Mikhail Bulgakov (resenhado aqui). Antes de escrever O Mestre e Margarida e virar um dos maiores escritores russos de todos os tempos, Bulgakov era um médico recém formado que foi mandado para um hospital na Sibéria. O hospital ficava a poucas milhas do vilarejo mais próximo, mas no inverno, que começava em Setembro, a neve fazia essa viagem um evento épico, que tomava horas. Bulgakov estava, quase literalmente, no meio do nada, assistido por algumas enfermeiras e adorado pelos camponeses locais. O livro é composto de estórias curtas, relatando casos específicos (um parto que fracassa), uma operação para amputar as duas pernas de uma criança. Aqui não existe lugar para realismo fantástico, a luta entre o homem e seu meio é a tônica. O médico vive isolado, cercado por seus fantasmas e inseguranças (e lobos também, em uma estória memorável). O retrato feito da sociedade russa pré-revolução é surpreendentemente simpático, com um sistema de hospitais rurais que funcionavam, onde não havia riqueza de recursos, mas onde médicos bem treinados encontravam o mínimo necessário para proteger seus pacientes. O livro é tudo de bom: curto, rápido, bem escrito, e barato.