Está lá no Grobo: dois bandidos armados assaltaram uma turma do 8o período de Nutrição enquanto faziam prova no prédio do Centro de Ciência e Saúde, no Fundão. Eu acho que o Grobo, assim como a Óia, deveriam ser proibidos de falar das mazelas das universidades públicas, uma vez que são sempre os primeiros a subir no bonde do “ensino superior público é desperdício de dinheiro”. Mas essa notícia na verdade me lembrou de outra coisa: em 1997, ensinando à noite no IFCS-UFRJ, lá no Largo de São Francisco, eu comecei um período sem saber onde seria minha sala de aula. O instituto estava cogitando me colocar no terceiro andar, ou coisa que o valha, e os alunos me avisaram que lá não iam por medo de assaltos; eu teria que negociar com os traficantes e usuários de drogas que frequentavam a área. É óbvio que não negociei, e nem subi as escadas. Não sei nem se a estória era verdadeira, mas o fato é que sair do prédio à noite era como entrar numa cena de Blade Runner: crianças sem teto correndo nuas ao redor de uma fogueira, mulheres miseráveis de olhar vazio, uma festa.