Pratica di Mare é parte do comune di Pomezia, uma cidadezinha perto de Roma: dirigindo, você pega a via Pontina e depois de 30-40 minutos pega a saída pra Pratica di Mare-Pomezia. Eu não fui ver a cidade principal, mas sim visitar a coleção de inscrições que, segundo minhas fontes, estava no Palazzo Borghese. A Sra Amiano estava comigo, e como chegamos muito cedo, decidimos ir até o pequeno museu da cidade. Segundo a tradição romana antiga, e até Virgílio, foi ali que Enéas, o cabra que fugiu de Troia e levou os troianos para a Itália (aventuras narradas na Eneida) antes de virar cardiologista, maluco de carteirinha e político no Brasil, finalmente aportou com seus barcos, depois de navegar por Cartago, Sicília e Su da Itália (no que deve ter sido um excelente cruzeiro do Mediterrâneo, com paradas no Hades e jantares com ciclopes canibais).

O museu é pequeno mas legal (vou falar do sítio arqueológico no Antiguidades Romanas), mas o mais legal foi visitar o Borgo, a fortaleza medieval pentagonal planejada por ninguém menos do que Antonio da Sangallo, um dos maiores arquitetos do século XVI italiano (especialmente para fortificações). O Borgo hoje possui uma pequena igreja, dois restaurantes excelentes, e parte da fortaleza é o chamado palácio Borghese. Eu achava que o nome fosse meio genérico, tipo a villa Borghese em Roma, que pertenceu à família Borghese. Os Borghese saíram de Siena, onde são atestados já no século XIII, e vieram para Roma, onde viraram cardeais, nobres e papas, além de terem se casado com a família de Napoleão quando este conquistou a Itália.

Mas qual não foi minha surpresa quando fomos recebidos por um senhor grisalho e mal humorado, o príncipe (os italianos ainda usam os títulos!) Borghese em pessoa. A princípio não querendo que a gente entrasse nos seus jardins para ver as minhas inscrições, ele foi logo dizendo que não tinha nada ali. Mas depois foi relaxando, até que ele virou pra dona Amiano e perguntou de onde ela vinha. Aí, foi a festa: italianos adoram os irlandeses, porque adoram falar inglês, porque a Irlanda tem um gênio nas relações públicas, e porque gostam de falar mal dos ingleses. Ficou tudo mais fácil. Até visitar o interior do palácio a gente conseguiu, o que foi espetacular.

No fim, um lauto almoço regado a vinho e voltamos pra Roma. Acho que não seria difícil me acostumar à vida de arqueólogo…