Conitnuando o relato de minhas andanças pela Itália. A secretária da escola britânica marcou minha visita a Spello e Terni para o mesmo dia, no início de Março passado. Por incrível que pareça, o sistema de trens italianos é excelente. É claro, atrasos abundam, trens são cancelados, os vagões são sujos, etc etc. Mas quando vc pensa no número de trens circulando, a variedade de linhas, ligando lugares obscuros a lugares desimportantes, e o preço final de uma passagem, as vantagens são impressionantes. Os ingleses são incapazes de fazer algo igual.  Tanto Spello quanto Terni ficam na Úmbria, a Nordeste de Roma (mais Norte que Leste). Contra todas as previsões minhas e de meus amigos, foi possível visitar as duas cidades no mesmo dia sem carro, só de trem (e um ônibus).

Spello é… (clique no link para ler o resto, vai!)

…uma das cidades mais bonitas que visitei na Itália. Juro. A Úmbria toda é espetacular, poucas vezes me decepcionei: muitas das cidades são anteriores à conquista romana, foram construídas no topo de colinas. Na maioria dos lugares, como em Spello, a parte moderna e feia fica no vale, enquanto a parte medieval e bonita fica na colina. Além disso, as pessoas da Úmbria têm uma capacidade inigualável, aquela simpatia e gentileza que você só encontra em cidades pequenas, provincianas e seguras de sua beleza. Spello possui torres romanas, uma bela igreja com afrescos do Pinturicchio (sec XVI), e os restos de um anfiteatro romano.

O que me levou à cidade foi a base de uma estátua dedicada a um sacerdote pagão por volta de 350 d.C.. A estátua fica no palácio da prefeitura, e a moça que me levou até o lugar ainda foi simpática o bastante para me levar à sala onde os matrimônios são realizados, onde fica uma outra inscrição da época de Constantino. Ainda tive tempo de dar uma volta na cidade toda (é tão pequena). Almoçar foi fácil: na Úmbria a melhor opção para comer bem e barato é parar em qualquer mercadinho e pedir para fazerem um sanduíche com um presunto ou salame e queijo feitos localmente. Salame de javali e queijo de cabra. Não tem como errar.

Depois de Spello, peguei o trem para Terni, onde devia ver uma outra base de estátua no museu da cidade. Quer dizer, achei que peguei o trem. Enquanto eu esperava, avisaram na estação que meu trem ia parar em outra plataforma. Eu estava lendo, e não ouvi o aviso. Um outro trem chegou na minha plataforma, eu entrei e voltei a ler. Quando, daí a 5 minutos, paramos em Assis, me toquei que estava indo na direção errada. Saí correndo do trem, para surpresa dos soldados que estavam no meu vagão, e por sort consegui um ônibus que me levou até Foligno e de lá um trem para Terni.

Terni é tudo o que Spello não é.  Uma tem 8 mil habitantes, a outra 112 mil. A cidade virou um centro industrial no século XIX, e foi afetada por duas tragédias no início do século XX: a arquitetura fascista e os bombardeios da segunda guerra. Eu estava com pressa, pois só tinha 3 horas antes de meu trem para voltar para Roma, por isso peguei um táxi até o museu. Bom, o museu sim, é espetacular. Interamna (o nome de Terni na antiguidade) já era uma cidade rica desde antes dos romanos, e o museu foi recentemente reaberto no sítio de um complexo industrial do século XIX. esse é um dos grandes problemas para a Itália. O Museu seria importantíssimo em qualquer outro país do mundo, mas na Itália é completamente ignorado por turistas. Assim que eu cheguei, fui falar com as administradoras, que tiveram que acender as luzes para mim (isso no meio do expediente): ninguém aparece por lá, pelo visto.

Depois de visitar o museu, corri através do centro da cidade, o que me convenceu que a arquitetura provincial do final do século XIX é muito superior à fascista (as coisas que a gente aprende), e voltei pra Roma.