Esta semana que passou estive em SP, para resolver uns assuntos do trabalho. Na volta, peguei o ônibus para Niterói, o bom e velho 1001 executivo. Ao entrar no ônibus, bateu o desespero: espalhados pela cabine estavam monitores, sina inconfundível de tortura audiovisual. E não deu outra. Um dos filmes escolhidos foi Fireproof, um fime sobre um bombeiro vivendo uma crise conjugal e que tenta salvar seu casamento enquanto a mãe da esposa está doente e um médico mal carater dá em cima dela (da esposa, não da mãe!). O  filme é uma empreitada cristã, produzido como um instrumento da pastoral de algumas igrejas americanas. O bombeiro estava cheio de vícios (uma cena envolve destruir o computador…), sua mulher era boazinha mas não ia à igreja, etcetc. O  que mais me irritou é que quando eu paguei pela passagem ninguém me disse que eu estaria exposto à doutrinação cristã! Para falar a verdade, nem sei se a 1001 pertence a algum bispo ou católico fundamentalista, e me parece que o dvd só foi colocado porque era barato (o outro filme foi Os irmãos Id & Ota!). Mas assistir a uma coisa destas na mesma semana em que foi aprovado na Câmara o acordo entre o Brasil e o Vaticano – um acordo que, ao invés de condenado pelos não católicos foi complementado para incluir todas as outras religiões, bom, isso tudo me parece um sinal do lado mais irritante do obscurantismo. Ou seja, a doutrinação.

Os filhos de um amigo, 10 e 12 anos, são ateus. Vira e mexe voltam para casa com uma nota da escola, dizendo que eles desrespeitaram a religião de um coleguinha dizendo que Deus não existe. É nesse ponto que a gente está vivendo.