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Um post no blog do Nassif comenta a lei antifumo do governo de São Paulo. O argumento é tão básico quanto é chucro: para chamar a atenção para seu governo e sequestrar uma política bem sucedida no mundo todo, Serra adotou como estratégia radicalizar o combate ao fumo em lugares públicos. A falta de uma imprensa livre em SP (todo mundo está a serviço do Serrismo contra o Lula) faz com que os paulistas continuem votando no PSDB. Isso é de lascar, um exemplo fenomenal do que os italianos chamam de indietrismo, a ciência de achar a verdade escondida atrás dos fatos concretos.

1. Realmente, a lei paulista é extremamente radical. Se por um lado tenho prazer em torturar meu orientador, fumante contumaz, por outroa também acho um exagero. Mas o argumento do post é de que muitas das medidas não trazem nenhum benefício aos não fumantes, e por isso são mera jogada politiqueira. Isso seria verdade, se a lei não fosse endereçada também (logicamente) aos fumantes. O objetivo é reduzir o espaço e tempo que os fumantes têm para fumar. Isso é óbvio. Se é uma boa idéia, em termos de política de saúde pública eu não sei (alguém vai calcular isso um dia), mas não é invenção do Serra. Cigarros são estupidamente taxados por esse mesmo motivo, entre outros.

2. Puxa, será que o Serra quer fazer propaganda com isso? Um dos métodos do indietrismo é de anunciar como descoberta maravilhosa algo que é óbvio. Será que o Lula inaugurar um hospital é propaganda política? É claro que sim!!! Mas espero que ele continue fazendo isso! O Serra fez um governo muito bosta em SP, verdade seja dita. Eu esperava muito mais. Política e administrativamente. Um dos poucos capitais que ele tem é o período em que foi ministro da Saúde no governo FHC. É claro que o cara só tem a ganhar se associando ao tema saúde. Isso não é maquiavelismo barato, isso é política.

3. A idéia de que a imprensa de SP (Veja, FSP, OESP) está a serviço do Serra é uma simplificação barata. Que eles sejam contra o Lula podemos dar de barato – isso não surpreende, o que me surpreendeu foi a cobertura que deram ao governo do PT até a descoberta do mensalão. Donos do Capital, Capitalistas, etc. O que eu acho (me permitam o indietrismo) é que a imprensa no momento apóia o Serra. Quando for interessante, irão atrás dele. Com o Collor foi assim, não? Fizeram a maior campanha para eleger o cara, o Noblat foi demitido do JB, etc. Daí a alguns anos, contrariados, fizeram a maior campanha pra derrubar o cara (não é que não existissem motivos, diga-se de passagem).

4. eu gosto muito do blog do Nassif, leio mais de uma vez ao dia. Ele é um de meus jornalistas econômicos preferidos (bom, é o único jornalista econômico que eu conheço: alguém chamaria a Mirian Leitão de jornalista? Ou de economista?), mesmo que eu frequentemente discorde dele. Ele não foge do bom combate, como em sua série contra a Veja. Mas às vezes o cara se perde em denúncias políticas, acobertando gente como Sarney (durante a crise do senado no ano passado) e agora o Kassab.

ps: se você não lê o Nassif mas é interessado em política científica, está rolando uma discussão interessante por lá. Vale a pena visitar.

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…do que um trabahista com agenda conservadora.

Uma das descobertas mais importantes no campo do Direito Romano foi anunciada em Londres esta semana: a descoberta de fragmentos do Código Gregoriano, um predecessor dos Códigos Teodosiano e Justiniano (comentei isso no Antiguidades Romanas).  Na mesma semana, o governo de Gordon Mediocrity Brown anuncia cortes que vão tornar descobertas como essa impossíveis daqui a 10 anos.

Hoje em dia tenho cada vez menos tempo para ler livros de história gerais, grandes narrativas, etc. Uma gripe em Dezembro me deu a oportunidade de ler um livro que havia dado ao meu sogro, mas que há muito eu queria ler: The War of the World, de Niall Ferguson. Ferguson é um especialista em história econômica de Harvard, mas alguns de seus livros recentes tiveram temas militares. Esse livro é uma combinação dos dois temas: o século XX foi o período mais violento da História, e isso tem a ver com os desenvolvimentos científicos, tecnológicos e (porque não) nas técnicas de gestão de recursos e processos de produção. Ferguson narra os grandes conflitos que abalaram o mundo entre 1914 e 1956 como parte de um processo triplo: o ódio étnico, a desagregação de impérios e mudanças econômicas rápidas (crise, para ele, não quer dizer necessariamente que as coisas vão mal). Como pano de fundo, o que ele traça é a ascensão do poderio americano e seu eventual declínio frente à China (!).

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E pelo visto ficou impressionado com o Código Da Vinci. A estória que apareceu nos jornais ontem e hoje, de que JP II se flagelava, é uma boa (ou péssima) indicação de para onde a Igreja Católica se encaminha. Que Karol Wojtyla havia representado um tremendo retrocesso político e teológico na Igreja é claro. Sua ênfase em aspectos mais místicos do cristianismo, beirando o irracionalismo, é de deixar qualquer pessoa do século XIX chocada. Sua recusa a reconhecer que a Igreja é a comunidade que segue Cristo em um mundo real, com problemas reais, colocando a intransigência doutrinária acima da prática cristã era uma consequência lógica desse misticismo. Agora, descobrir que o cara se auto-flagelava é de preocupar. Ainda mais quando isso é anunciado em meio à campanha para canonizá-lo, em um Vaticano governado por um papa autoritário como Ratzinger.

Eu tenho um problema sério com o cristianismo, especialmente a Igreja católica. Eu gosto da liturgia, da arte, arquitetura, estória, da ética, etc. Meus amigos católicos são boas pessoas. Mas quando leio os padres da Igreja por algum motivo profissional, é um choque atrás do outro: Santo Agostinho defendendo a tortura (tem coisa que só Deus saberia sem ela), São Leão I queimando livros e defendendo a perda de status de virgens estupradas por bárbaros, São Jerônimo tendo um orgasmo ao descrever a tortura de uma adúltera, não dá pra não ter nojo destes caras. Pior, não dá pra não ficar sem entender uma comunidade que escolhe estes caras como exemplo. Ou como a Sra Amiano observou, quando eu li a notícia de jornal sobre JP II para ela, “These are seriously fucked up individuals…”

Do site da HUM:

PROBLEM: There are 237 countries/territories in the world.  Yet, the 4 largest newsgathering and distribution organizations which supply content to 90% of the planet’s media, only report from 121 countries.  They overlap operations in 77, and are differentiated only by 45.

RESULT?  116 countries NOT covered by mainstream media – almost half the world, and 4 billion people.  (HUM Research, 2009 All rights reserved.)

63 of these 116 countries also feature on the UN’s G77 list of most impoverished global nations and are generally considered `developing countries’.  (HUM Research, 2009. All rights reserved.)

Ironicamente, a melhor fonte de notícias para diversos países me parece ser a Al Jazeera, com seus blogs

ou praga de blogueiro é fogo!

O Guardian é um jornal notável (e frequentemente irritante) pelo caráter pessoal de suas matérias e resenhas. Um artigo sobre o bombardeamento do Iraque não fala do que aconteceu, mas da maneira como as pessoas envolvidas (incluindo o jornalista) viveram o evento. Isso às vezes funciona que nem uma faca: uma resenha do Toy Story 2 em 3D tocou em um dos grandes medos que eu aprendi a ter desde que o Amianinho (8 meses hoje!) nasceu. Ele vai crescer, e vai parar de achar graça em minhas caretas e brincadeiras.

Como se isso não fosse o bastante, saiu a pouco tempo o trailer do Toy Story 3, ainda mais devastador. Os filhos crescem, é pouco a pouco, mas acontece todo dia.

“No, I’m not a pessimist. At some point the world shits on everybody. Pretending it ain’t shit makes you an idiot, not an optimist.”

(Shit my dad says – no momento, a melhor página do Facebook)

O grande Hermenauta fez um post desenvolvendo uma resenha do NPTO (na verdade é uma idéia cara a este último, e que me agradaria também), no qual ele (o Hermenauta) apresenta uma planilha de Excel mostrando o que teria sido o congresso brasileiro em 2002 se ao invés da aliança com PMDB, PP, PTB etc, o PT tivesse se aliado ao partido que em tese lhe é mais próximo: o PSDB. Como os números do Hermenauta mostram, essa aliança (que seria na tese do NPTO a mais racional em termos de projeto político) não bastaria para dar ao governo maioria no parlamento, apesar de sua “pureza” política e ideológica. O governo não teria assim a condição básica para a governabilidade e a implementação de seu projeto. É um post muito interessante, com o qual eu concordo mais do que discordo. Mas tem 2 pontos que eu acho que deixam a discussão mais interessante, não mencionados pelo Hermenauta – digamos, duas questões metodológicas: (abaixo do fold)

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Não é porque não tenho tempo de ir ao cinema (e nem de postar neste blog) que deixo de acompanhar as novidades cinematográficas, e especialmente as fofocas relacionadas a elas. É o caso de Avatar. O Guardian de hoje informa que o novo filme de James Cameron é o maior sucesso na bilheteria chinesa. Não por acaso, já começou a correr a notícia de que as autoridades de lá estão boicotando o filme, preocupada com seu conteúdo “subversivo”. O problema, como bem sabe quem já andou por Beijing (ou qualquer cidade com energia elétrica) é que o que os chineses menos precisam para ver um filme é de cinema. Num país onde filmes são comprados em DVD antes mesmo de terem sido lançados nos EUA, vai ser interessante ver um governo autoritário tentar impedir o povo de assistir Avatar. Ao menos os estúdios de Hollywood finalmente poderão contar com a ajuda do governo chinÊs no combate à pirataria.