E pelo visto ficou impressionado com o Código Da Vinci. A estória que apareceu nos jornais ontem e hoje, de que JP II se flagelava, é uma boa (ou péssima) indicação de para onde a Igreja Católica se encaminha. Que Karol Wojtyla havia representado um tremendo retrocesso político e teológico na Igreja é claro. Sua ênfase em aspectos mais místicos do cristianismo, beirando o irracionalismo, é de deixar qualquer pessoa do século XIX chocada. Sua recusa a reconhecer que a Igreja é a comunidade que segue Cristo em um mundo real, com problemas reais, colocando a intransigência doutrinária acima da prática cristã era uma consequência lógica desse misticismo. Agora, descobrir que o cara se auto-flagelava é de preocupar. Ainda mais quando isso é anunciado em meio à campanha para canonizá-lo, em um Vaticano governado por um papa autoritário como Ratzinger.

Eu tenho um problema sério com o cristianismo, especialmente a Igreja católica. Eu gosto da liturgia, da arte, arquitetura, estória, da ética, etc. Meus amigos católicos são boas pessoas. Mas quando leio os padres da Igreja por algum motivo profissional, é um choque atrás do outro: Santo Agostinho defendendo a tortura (tem coisa que só Deus saberia sem ela), São Leão I queimando livros e defendendo a perda de status de virgens estupradas por bárbaros, São Jerônimo tendo um orgasmo ao descrever a tortura de uma adúltera, não dá pra não ter nojo destes caras. Pior, não dá pra não ficar sem entender uma comunidade que escolhe estes caras como exemplo. Ou como a Sra Amiano observou, quando eu li a notícia de jornal sobre JP II para ela, “These are seriously fucked up individuals…”