Semana passada saí com meu primo para tomar uma cerveja, quando demos de cara com o mui nobre NPTO em pessoa. Meu velho amigo de café e enrolação doutorandesca, meu sucessor na presidência da prestigiosa Oxford University Brazilian Society – uma associação com o nome mais longo do que a lista de integrantes – o NPTO me apresentou como “o famoso Amiano Marcelino”. Eu achei que isso fosse uma cortesia, pro caso de eu estar devendo um dinheiro pra alguém ali, ou de um deles ter visto meus cheques colados em balcões de estabelecimentos comerciais pelo Brasil afora. Mas não, todos eles pareceram conhecer meu nome, e não foi por causa de meu predecessor mais famoso.

Eu confesso que isso é algo que me deixa sempre surpreso: a idéia de que alguém leia o que eu escrevo. Seja um trabalho acadêmico ou estas muito mal traçadas linhas epilépticas, encontrar alguém que diga “eu li o que você escreveu” é muito estranho. Eu ainda estou acostumado com aquele ideal do acadêmico que escreve um trabalho que será devidamente enterrado em uma biblioteca de depósito legal, e morro de vergonha quando alguém faz um comentário sobre o que eu escrevi. Uma aluna de doutorado me disse que estava revendo suas notas da graduação e viu o fichamento de um texto meu. Veja bem, isso não é falsa modéstia, mas eu conheço o que eu escrevi, e não vejo nada para ser fichado ali. A não ser eu mesmo, e pela polícia, por ter escrito aquilo, mas isso é algo diferente. Eu sempre fico bobo e corro pra mostrar pra  Sra Amiano quando alguém me cita em um trabalho acadêmico (e isso tem acontecido com uma certa frequência, uma vez que eu geralmente leio gente que estuda as mesmas coisas que eu), mas ficar frente a frente com um ser humano real, que sabe o que eu penso sobre um determinado assunto, isso é muito embaraçoso.

Agora eu leio que o Hermenauta está parando de escrever porque atingiu a marca de um milhão de visitas. Ou que o Andrew Sullivan foi visitado 11 milhões de vezes em Janeiro de 2010. Eu não sei como esses caras fazem pra sair de casa.