Uma matéria muito interessante no Guardian, sobre a origem dos filmes de horror. A matéria se concentra em alguns personagens chave: drácula, o lobisomem, e Frankenstein. Ah sim, e Lon Chaney, o primeiro grande ator de horror, da época do cinema mudo. Vale a pena ler, até para entender de que tipo de mente saíram esses filmes – e de que tipo de sociedade saiu Chaney, filho de pais surdo-mudos que ganhava a vida se apresentando em freak shows. O melhor livro que já li sobre o gênero é o espetacular Dança Macabra, de Stephen King (que tem um verbete interessante na Wikipedia, inclusive mencionando a confusão feita no Brasil e na Espanha com The Stand, um livro bem menos interessante). O livro é uma ode de amor ao gênero, além de uma análise fantástica da cultura pop americana.

King foi, na minha opinião, um dos maiores escritores de horror que já viveram. Ó verbo está no passado porque depois do final de A Coisa eu perdi interesse por ele e pelo gênero (como pode um livro também terminar d emaneira tão ridícula?). Ele não é um bom escritor, seus livros nunca atingem o lirismo do Drácula de Bram Stoker ou a força emocional do Frankenstein da Shelley. Mas em seus bons momentos não ficam muito longe. A Hora do Vampiro (tradução infeliz para Salem’s Lot) é um livraço, com uma cena em que dois coveiros trabalham enquanto o sol se põe que não deixam nada à prosa vitoriana de Stoker. O Cemitério é outra obra prima: você tem as 150 primeiras páginas que são piegas e cafonas, mas eficientes em fazer com que você se apegue a uma família jovem e cheia de esperança, com uma esposa linda e um bebê adorável. E tudo vira um inferno logo depois, manipulando um dos medos mais básicos, o de perder os entes queridos.

Eu acho que é aí que o horror é mais forte, onde os medos mais básicos estão: o mal que se esconde no dia a dia, que pode chegar a qualquer momento, que não é percebido. Frankenstein, o lobisomem, Drácula, a Coisa, o Cemitério, são todos filmes que lidam com isso. É por isso que O Iluminado de Kubrick pode ser um filme estupendo, mas uma bosta de horror: a oucura do personagem de Jack Nicholson não se compara à maldade que vive no hotel de Stephen King. É aí que o gênero se perdeu, na minha visão: quando o gênero virou um pastiche do cinema, que já era um pastiche dos livros. Grandes explosões, criaturas horrorosas, efeitos especiais. Uma passagem da reportagem do Guardian chama a atenção para isso: o diretor de King Kong, ao fazer a atriz principal  (Fay Wray) gritar o grito que ensinou as platéias de cinema a exprimir seu medo, sabia estar manipulando o que estas mesmas platéias tinham de mais ridículo.