Lá embaixo, em um post sobre concursos públicos para professor universitário, o André e o João Paulo fazem justos reparos ao meu argumento. Eu acho que a forma como os concursos tem ocorrido no Brasil passou por grandes avanços, e também acho genial que os concursos valorizem o ensino (nem tanto a experiência administrativa, que é parte do trabalho mas não é a razão de ser do negócio). Mas ainda resta um problema, pelo menos de meu limitado ponto de vista.

Órgãos como a FAPESP têm cada vez mais insistido para que os alunos terminem a graduação e façam direto o mestrado ou, melhor ainda, que passem logo para o doutorado. Isso é uma tendência mundial, e o resultado é que o pessoal formado é menos o tradicional intelectual (isso é para as Humanas, não para as exatas) e mais o pesquisador formiguinha. Além disso, as pessoas acabam o doutorado mais jovens do que costumavam fazê-lo (disclaimer: não é meu caso, fiquei um tempo dando aula em escolas e fazendo o roteiro professor substituto das universidades do Rio por um tempo). A distribuição de peso por concursos é assim: peso 3 para prova escrita (que é eliminatória), peso 3 para a prova de aula e peso 4 pro currículo ou memorial. Eu acho que isso deve variar, mas já passei por isso duas vezes. Se o candidato X é um péssimo professor, mas fez um doutorado fraquinho em 9 anos, sem bolsa, enquanto dava aula na universidade da tia Candoca e nesse meio tempo publicou 4 artigos em revistas razoáveis, ele vai ter mais ou menos pontos do que o candidato Y que fez uma excelente prova de aula e terminou o doutorado em 4 anos na unicamp, e que publicou nesse mesmo tempo 4 artigos nas mesmas revistas?

É um problema insolúvel: os departamentos deveriam ter autonomia para definir os critérios para a seleção, de acordo com o que eles acham necessário. Isso envolveria até a possibilidade de convidar candidatos. Mas ninguém é louco de dar tanto poder para os departamentos.

Eu preciso dizer uma coisa importante: minha bronca com concursos vem em parte dos dois concursos que eu fiz, nos quais fiquei em primeiro na prova escrita e na de aula, mas perdi na de currículo (isso foi em 97 e 99). Não foram concursos roubados, disso eu tenho certeza. E não ter passado foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo: realizei o sonho de sair do Brasil, estudei arqueologia romana in loco, me casei, tive um filho, fiz pós-doutorados, publiquei… ou seja, só tenho a agradecer às bancas. O que eu quero dizer é: minhas críticas não são hard feelings com ninguém.

E João Paulo: isso está classificado como ranzinzice porque como quase tudo nesse blog minhas opiniões são impressionísticas!