Eu já havia escrito aqui como sou simpático à política externa brasileira (é o post abaixo, faz tanto tempo…). Acho fundamental que o Brasil se apresente como alternativa para o diálogo tanto para Cuba quanto para o Irã.  Minha opinião não mudou, mas uma colocação do Lula recentemente me obriga a voltar ao assunto. Nas palavras do nosso guia:

“O Paquistão tem a bomba atômica. Israel também. É compreensível que quem se sinta pressionado por essa situação possa pensar em fabricar a sua. Não temos o direito de por ninguém contra a parede, a prática do tudo ou nada.”

As duas primeiras frases são corretas. Israel, Paquistão e a Índia têm a bomba. A China também, e está bem perto do Irã. A última frase também é louvável, eu acho a negociação fundamental. Uma coisa que poderia ser dita é que impor sanções não é fechar a porta para o diálogo, muito menos botar contra a parede. É dar um incentivo para o diálogo. O problema, na verdade, é a idéia de que quem se sente pressionado pode fabricar sua bomba.

Não pode! Pelo menos o Brasil não pode. E nem o Irã. O Irã assinou o tratado internacional de não proliferação nuclear em 1968. 30 anos antes do Brasil, que também assinou. A afirmação do presidente brasileiro representa o quê? Um arroubo infeliz? Uma revisão de doutrina? Uma sugestão ao Irã, que rompa o tratado?

Infelizmente a página de desarmamento do ministério das relações exteriores está em atualização, e não contém nenhuma informação (hoje, 12 de Abril).

“O Paquistão tem a bomba atômica. Israel também. É compreensível que quem se sinta pressionado por essa situação possa pensar em fabricar a sua. Não temos o direito de por ninguém contra a parede, a praticar a tática do tudo ou nada.”