Alguém já viu alguma proposta nessa campanha? Algum debate sobre alguma proposta? Alguma afirmação que não seja uma platitude? Uma coisa que cansa nessa campanha que ainda nem começou é que a gente já sabe que todas as questões substanciais serão deixadas para amanhã, aparecerão em títulos de panfletos sem nenhum conteúdo, aparecerão nos debates gerando caras compungidas, enquanto os debatedores se esforçam para falar de outros assuntos.

O Noblat hoje reproduz uma matéria da Folha sobre uma pesquisa do IPEA que mostra que de meados dos anos 90 para cá a mortalidade infantil caiu para números três vezes menores. A mesma pesquisa mostra que esse número ainda é intolerável, porque ceifa a vida de justamente quem ainda não gozou dela, 24 crianças em cada mil. 2.4%. Se isso fosse uma probabilidade solta no ar, se não fosse exclusividade das classes mais baixas, esse número estaria em todos os blogs e jornais de hoje como um Cristo Redentor pichado. Mas essa probabilidade não se aplica aos filhos dos leitores de blogs, e nem dos senadores e deputados e candidatos à presidência (curioso que já se aplicou, veja como esse país muda).

Segundo a matéria os pesquisadores do IPEA apontam 4 fatores que explicam a redução na mortalidade infantil: 1. redução rápida na pobreza extrema; 2. expansão dos serviços de assistência e saneamento; 3. aumento da escolaridade dos pais; 4. campanhas governamentais de assistência à criança. Os dois principais candidatos a presidente estão envolvidos nestas mudanças: Serra foi ministro da Saúde, Dilma chefe da casa civil. Custava eles dedicarem alguns minutos a pensarem em como vão fazer a transição de 24 em mil para 0 em mil?

Enquanto isso nossa assim chamada “imprensa qualificada” fica debatendo corrida de cavalos ao invés de substância. Essa eleição vai ser sofrida.