Bom, acabada a copa do mundo pro Brasil as notícias sobre a eleição voltam a ocupar o topo da primeira página do Globo online. O problema é que esta eleição sinceramente me desanima mais do que a seleção do Dunga (pelo menos a defesa era boa e os jogadores eram experientes e com nervos de aço, haha).

Eleiçõs são mais complicadas para sujeitos moderados. Ao menos é assim que eu me sinto.

Eu gosto do governo Lula, acho que ele fez um bom governo. Acho que o Bolsa Família foi uma grande iniciativa, o Reuni foi uma grande idéia, o controle do déficit, metas de inflação etc etc foram bons. Mas não acho nenhum destes programas suficientes. O bolsa família é necessário, devia ter sido feito antes (e olha que eu achava a idéia ruim!), mas eu sinceramente acho que devia estar atrelado a partir de um certo ponto (olha a ênfase!) a portas de saída ou a coisas como filhos frequentarem escolas (não estou formulando políticas, então vai ficar vago mesmo. quem quiser algo mais elaborado vá ler o NPTO). Eu tenho mais dúvidas quanto à expansão universitária (da qual eu me beneficiei com um concursinho, eba!). Não vejo uma política científica clara, e acho que o sistema universitário precisa ser purgado e reformulado, e expandir o programa só faz aumentar estes problemas: as universidades viram escolões. Mas isso é bem melhor do que um Paulo Renato.  O problema é que a Dilma não expõe nenhuma opinião sobre isso. Ou seja, more of the same. Pior, o governo dela com Michel Temer na área vai significar uma participação ainda maior de uma das muitas alas asquerosas do PMDB.

Por outro lado, José Serra não ajuda. Eu me considero o eleitor natural do PSDB, um partido de engomadinhos da academia com um verniz de preocupação social. Mas o Serra não é na minha opinião um candidato do partido, e nem o Aécio o seria. O Serra ocupou o espaço na porrada, não tem legitimidade (perdeu a que tinha).  Não tem idéias nem programas – está perdido. Para um cara que diz que estava predestinado à presidência e que falava do assunto desde que tinha cinco anos a impressão que dá é que ele foi pego de surpresa com a chegada de 2010 e está tentando montar um projeto e uma chapa na base do improviso. O que nos leva ao Índio da Costa. O que me leva a não querer votar no Serra.

Resta a Marina. Ela era a candidata de quem eu menos gostava inicialmente, achava a que tinha menos projetos factíveis. Achava apenas que ela tinha a bandeira mais vistosa e mais moderna de todas. Mas isso mudou. O vice dela, Guilherme Leal, deu uma boa entrevista à Carta Capital (via Nassif). É preciso enfiar de uma vez por todas a ecologia no debate político brasileiro, ainda marcado por uma perspectiva sessentista. E é preciso mandar um recado pros dois grandes aglomerados políticos que têm se alternado no poder que o que eles estão oferecendo não é bom, que eles podem pensar mehor e oferecer algo novo.

Bom, resumo da conversa: não sei em quem vou votar, mas tendo a fechar neste momento com dona Marina. Adoraria mudar de idéia, mas a impressão até aqui é que tanto Serra quanto Dilma vão se esforçar para não oferecer argumentos. Eu tenderia a votar no segundo turno no Serra, mas o fantasma do Paulo Renato é assustador demais.