Segundo turno, um dia depois do debate em que a Dilma partiu para cima e o Serra revidou a golpes de Erenice. Especialmente essa situação torna ainda mais relevante o bom artigo de Pedro Malan, no Estadão, discutindo a retórica do ‘nunca antes nesse país’ de Nosso Guia. Passagens mais relevantes:

Uma consideração metodológica: “Afinal, na vida de qualquer país há processos que se desdobram no tempo, complexas interações de continuidade, mudança e consolidação de avanços alcançados. O Brasil não é exceção a essa regra. Como escreveu Marcos Lisboa, um dos mais brilhantes economistas de sua geração: ‘Não se deve medir um governo ou uma gestão pelos resultados obtidos durante sua ocorrência e, sim, por seus impactos no longo prazo, pelos resultados que são verificados nos anos que se seguem ao seu término. Instituições importam e os impactos decorrentes da forma como são geridas ou alteradas se manifestam progressivamente…”

E especialmente a passagem onde ele argumenta o que talvez tenha sido a maior realização do governo FHC, o saneamento do sistema financeiro, o que permitiu ao país atravessar a crise de 2008 com muito menos sobressaltos do que poderia ter acontecido se não fosse o PROER:  “O governo Lula não teve de resolver problemas graves de liquidez e solvência de parte do setor bancário brasileiro, público e privado. Resolvidos na segunda metade dos anos 90 pelo governo FHC. Ao contrário, o PT opôs-se, e veementemente, ao Proer e ao Proes e perseguiu seus responsáveis por anos no Congresso e na Justiça. Mas o governo Lula herdou um sistema financeiro sólido que não teve problemas na crise recente, como ajudou o País a rapidamente superá-la. Suprema ironia ver, na televisão, Lula oferecer a “nossa tecnologia do Proer” ao companheiro Bush em 2008. O governo Lula não teve de reestruturar as dívidas de 25 de nossos 27 Estados e de cerca de 180 municípios que estavam, muitos, pré-insolventes, incapazes de arcar com seus compromissos com a União. Todos estão solventes há mais de 13 anos, uma herança que, juntamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal, de maio de 2000 – antes, sim, do lulo-petismo, que a ela se opôs -, nada tem de maldita, muito pelo contrário, como sabem as pessoas de boa-fé.”

3 observações:

a) Note que ele não chega a defender a candidatura Serra, o que era de se esperar considerando os arranca-rabos entre eles.

b) O penúltimo parágrafo precisava ser substanciado.

c) Por onde andou o Malan durante essa campanha eleitoral? Considerando-se o nível do debate a ausência dele é ainda mais sentida – ele deveria ter um papel programático em qualquer candidatura PSDB.