O Guardian está blogando o anúncio dos cortes no orçamento britânico. Minha cobertura preferida é o blog do News Arse, com o comentário: “13:02 – Retirement age up to 66 in 2020, four years earlier than planned.  55 year-olds around the country are left absolutely livid.”

O fato de que os conservadores estão aproveitando a crise para impor sua agenda é mais do que uma mera hipótese. Pode-se dar adeus também aos Lib Dems por mais três gerações, pois eles estão simplesmente arruinando sua base. Se a idéia do Nick Clegg era agradar os eleitores conservadores para tentar crescer em cima deles, faltou um detalhe: eles já têm o partido conservador para votar. Mas um monte de trabalhista que estava insatisfeito com o Labour vai voltar pra sua origem, se o partido não acabar em fratricídio.

O debate na Inglaterra deveria nos interessar diretamente aqui, especialmente em ano de eleições. Em primeiro lugar, porque mostra como uma década de gastos no setor público pelos trabalhistas, somada a uma crise financeira mundial, coloca um país de joelhos. Nesse caso, poderia ser um argumento para a oposição, se ela não tivesse abraçado a gastança exagerada com tanta força nessa campanha. Em segundo lugar, porque mostra que um Lula vale 490.000 Gordon Browns, e a merda em que estaríamos se o governo brasileiro não tivesse sido um dos poucos a pisar no acelerador em 2008. Essa é uma das grandes vantagens de se ter um governo realmente de esquerda (vocês não vão me ver escrevendo isso aqui com muita frequência) e uma oposição letárgica, que não foi capaz nem mesmo de protestar ante à expansão do Estado. Paisinho complicado, esse aqui!