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Uma nota publicada no Marginal Revolution me levou a este artigo no Irish Times. Angela Merkel se recusa a fazer o bail out do governo irlandês, ou ao menos está decidida a fazer a Irlanda pagar caro por isso. O argumento político é de que os irlandeses gastaram muito com seu estado inchado e suas vantagens fiscais são insustentáveis. Isso é correto em parte, e realmente a Irlanda é um caso em que dinheiro fácil vindo da UE mais juros baixíssimos associados a um genuíno boom econômico jogaram a população e o país em uma situação de endividamento inacreditável. Mas uma coisa que tem me incomodado nessa crise é que, enquanto em 1929 Roosevelt aproveitou a crise para passar uma agenda progressista, agora as otoridades estão enfiando uma agenda conservadora goela abaixo de seus súditos. Infelizmente a melhor análise do que está acontecendo na Irlanda que eu li até agora é a de Morgan Kelly, no Irish Tmes. Infelizmente porque é feia pra cacete. Sends shivers down the spine.

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Duas mudanças já percebidas na cidade eterna: minha pizza al taglio preferida desapareceu; essa é a pior. A outra é que o pai do meu barbeiro não está mais entre nós.

Para quem nunca passou por isso, é importante saber que nada é mais traumático, para mim, do que cortar o cabelo em qualquer lugar que nãos eja no salão do Donga, em Niterói. Isso significa que minha vida tem sido muito dura nos últimos 8 anos. Explicar como você gosta, a necessidade de fazer conversinha, estas coisas. Em Roma isso foi muito duro porque tem muito salão, mas eu gosto mesmo é de barbeiro. Pagar 10 euros por um corte vá lá, mas 25-30 é um absurdo. Foi com isso em mente que eu achei um barbeiro em Prati, perto do Vaticano.

Dois homens de uma certa idade, um bem idoso, pai e filho, os dois grisalhos. O lugar é espetacular, do ponto de vista barbeirístico: sempre tem uns velhos com aquela jaqueta cor de diarréia que os italianos idosos gostam tanto, tem um poster com um desenho de uma dona pelada imitando uma pose famosa da Marilyn Monroe em um lugar discreto, e a mobília é espetacular. Você se sente entrando num barbeiro dos anos 70.

Os dois fumavam loucamente, e isso era o maior inconveniente – eu saía de lá com a cabeça fedendo, pois eles fumavam dentro do salão enquanto cortavam meu cabelo. Meu e de todo mundo: me lembro de uma ocasião em que uma senhora trouxe o filho, e o velho, consciente da presença da criança, ia lá para fora dar cada tragada (ou seja, a cada 90 segundos), enquanto cortava o cabelo do menino segurando o cigarro.

Enfim, voltei lá ontem, o velho sumiu. Tem uma foto dele presa no espelho, não sei se é para assustar os clientes. O barbeiro parou de fumar. Mesmo os romanos mais encruados mudam.

Veio o segundo turno, a Dilma foi eleita, eu terminei de escrever meu paper às 5 da manhã e Às duas da tarde estava com a família voando para Roma. De computador novo, perdi a senha do wordpress (historiadores…), a conferência durou três dias e só agora, com a família na casa dos sogros na Irlanda, volto a blogar.

Estar em Roma é sempre espetacular. Eu conheci a Sra Amiano aqui mesmo, foi aqui que nos casamos, e foi aqui que eu escrevi o artigo que mudou minha vida (fama! dinheiro! mulheres! acordar! realidade!) e até hoje norteia o que eu estou fazendo (procure por Social and Political Life in Late Antiquity e Carlos Machado na Gigapeia, está de graça por lá). Agora estou hospedado na casa de uma grande amiga, e a Amiano corporation em breve anunciará grandes eventos para 2011: mega exposições! conferências! viagens a lugares exóticos! Enfim, só pra dizer que estamos de volta, valeu aí pela paciência.