Uma boa observação do He Will be Bach dois posts abaixo merece ser trazida aqui pra primeira página: “Lembro-me de que o próprio Gilberto Gil, ao sair da pasta, fez um “mea culpa” e disse que sua gestão deu muito pouca atenção à música erudita. Será que com essa nova ministra, tão exclusivamente imersa na cultura popular, os músicos dos programas de inclusão social via música clássica vão continuar morrendo de fome? Ou ela vai continuar a valorizar só a música popular, tacitamente piorando ainda mais a demarcação popular X erudito?”

Isso foi escrito no contexto do meu comentário sobre declarações da nova ministra da Cultura.

Uma coisa que me chamou muito a atenção durante o tempo que vivi na Inglaterra (menos na Itália, mas bastante na Alemanha) é o fato de que lá você não precisa justificar investimento na assim chamada ‘cultura erudita’. Música clássica custa pouco em Oxford porque muita gente vai ver e isso justifica os subsídios. A loteria financia aquisição de obras de arte para os museus, e não times de futebol. E professor de História Antiga não tem que justificar porque estuda Grécia ou Roma, com afirmações do tipo ‘elas ainda são importantes para nós’, ou ‘elas iluminam o presente’. Iluminam o cacete. Elas devem ser estudadas porque nós tempos a pretensão de ser 2% mais evoluídos do que outros primatas superiores, e o fato de não precisarmos de justificativa para apreciar algo apenas porque é belo ou interessante exerce um papel importante nestes 2%. E quem discorda (ainda mais num departamento de história), que se mude para um zoológico.