Um problema recorrente para mim nos últimos anos foi o de como carregar livros e fotocópias. Quando você se acostuma a fazer pesquisa em boas bibliotecas você acaba se desacostumando a xerocar e até mesmo deixa de comprar livros – não faz sentido gastar dinheiro em algo que você tem à mão quando precisa no horário de trabalho.

Mas quando decidi que ia voltar pro Brasil comecei a me planejar para ter acesso ao menos ao material básico para minha pesquisa: comprando livros e xerocando artigos e capítulos. Isso consome tempo e dinheiro, mas uma das coisas mais chatas é a logística de como fazer esse material chegar no Brasil. Em 2009 eu tive a ajuda da família: todo mundo que veio visitar o recém-nascido Amianinho levou pra casa uma mala cheia de livros. As fotocópias eu enviei por correio.

Com o passar do tempo fui aperfeiçoando meu método, e hoje em dia já sei como faço: passadas regulares nos correios para enviar caixas por via marítima pro Brasil; em Roma, usar o correio do Vaticano, mais barato e mais rápido; na Inglaterra e na Alemanha enviar caixas com uma certa periodicidade, para evitar chateação com os correios.Em Oxford, comprar livros na Oxbow e pedir a eles para enviar diretamente pro Brasil. Note bem, com a Amazon e similares, faz pouco sentido comprar livros novos no exterior. Muito mais lógico é comprar livros de segunda mão ou barganhas, pois esses você tem que estar por lá.

Mas a grande revolução foi, para mim, a introdução em Oxford de máquinas fotocopiadoras que escaneiam direto para um pen-drive. Com isso você gasta muito menos (2 pence, ao invés de 7 por página) e carrega tudo consigo. Essa é, na minha opinião, a maior revolução na nossa forma de fazer pesquisa: meu tempo na biblioteca foi dividido entre hora para escanear loucamente (você não precisa fazer tanto planejamento, uma vez que o custo é muito menor) e hora para fotografar catálogos que eu preciso consultar. Se a qualidade do trabalho vai melhorar eu não sei, mas me parece claro que estes desenvolvimentos na tecnologia da informação vão provocar uma revolução na maneira como se faz pesquisa em história. Ao invés de ficar no arquivo horas suando em frente a um manuscrito, você tira fotos com uma boa câmera, ao invés de ficar lendo o livro você escaneia tudo. Eu ainda acho que nada se compara ao prazer e à produtividade do trabalho na biblioteca, um lugar onde um livro te leva a outro que te leva a um artigo, onde você encontra colegas e toma café e faz social. Mas para nós que vivemos no Brasil e não temos bibliotecas minimamente equipadas em História Antiga, acho que está muito mais fácil terminar aquele artigo com aquela referência que fazia tanta falta.