Um bom artigo do Christopher Hitchens, na Slate, sobre a Tunísia (obrigado ao Daniel pela indicação). Assim como eu, Hitchens usou suas lembranças de uma visita à Tunísia (3 anos atrás! Será que era ele o cara que furou a fila no ônibus?), mas ao contrário de mim ele é muito mais positivo e esperançoso. O pior é que eu concordo com ele, cum grano salis. Primeira coisa, que eu deixei em branco no meu post abaixo – as ruínas. Historiadores da antiguidade desde os anos 70 procuram afirmar que o imperialismo romano era uma coisa ruim, e procuram valorizar as reações a esta dominação imperial. Quem visita as ruínas de Bulla Regia ou Dougga adentra um mundo de cidades prósperas, com uma classe média e uma elite felizes da vida – os riscos da arqueologia, que raramente documenta o conflito e é normalmente cega à pobreza. Mas dirigindo de uma cidade à outra, vendo a pobreza do interior tunisino (muito diferente de Tunis e Khairouan, visitadas por Hitchens), eu me pergunto se nossas justas preocupações anti-imperialistas não nos fazem cegos aos benefícios do império. Repito, sou contra impérios e dominações estrangeiras, mas Às vezes a gente se esquece de coisas básicas.

Os intelectuais e a universidade… ah, aqui nem se fala. A Tunísia, ao menos na área dos estudos clássicos, está se tornando uma potência: historiadores, arqueólogos, epigrafistas – o trabalho de Mustafa Khanoussi é um exemplo de inteligência e rigor analítico, e não duvido que o mesmo se dê em outras áreas, onde os tunisinos foram capazes de tirar áximo proveito de sua proximidade intelectual e institucional com a França.

Mas tem os direitos das mulheres, e aqui minha experiência é diferente da do Hitchens. Eu até fui à praia na Turquia, mas só porque eu queria mergulhar no estreito de Dardanelos na ilusão de que aquilo me faria igual a Alexandre o Grande. Lá eu não vi ninguém (chovia e fazia frio). Mas quando visitei Kerkouane, uma cidade púnica, aproveitei com a esposa e uma amiga para ir à praia foi que eu vi pela primeira vez mulheres completamente cobertas, até a cabeça, mergulhando no mar. Mulheres ocidentais (minha esposa e sua amiga) são seguidas na rua por homens que acham que a mulher ocidental é inferior, algo que foi explicado pelo namorado desta amiga, tunisino, posteriormente.

Espero mesmo que a ‘revolução de jasmim’ seja um sucesso do iluminismo e dos direitos humanos, como Hitchens parece acreditar. Espero que esta revolução se espalhe pelo Oriente Médio e Norte da África, como ele também espera. Mas eu acho muito difícil.