Orhan Pamuk levantou dois pontos interessantes em um discurso feito na feira de livros de Jaipur. O primeiro é o de que ele se sente ‘rotulado’ por ser turco: quando ele escreve uma estória de amor, ele fala, ela não é só uma estória de amor turca – ela se refere a toda a humanidade. Esse rótulo reduz não só o apelo de sua obra (como se ele só escrevesse para turcos), como também restringe o alcance de sua mensagem. O outro ponto é o de que como as editoras inglesas e americanas traduzem pouco uma boa parte da literatura mundial é marginalizada – e com isso deixamos de conhecer boa parte da experiência humana. Esse é um ponto interessante, mas aí ele força a barra. Traduzir custa caro, pois requer mais do que contratar um tradutor. Esse tem que estudar, aprender uma língua, estudar sua cultura, e isso custa tempo e dinheiro. Traduz-se hoje mais do que em qualquer outro momento da história. Eu acho que poucos países podem se vangloriar de tantas traduções novas por ano quanto os EUA e o UK. Seria ideal que mais coisa fosse traduzida (eu preferiria para o português), mas o que Pamuk poderia fazer é usar sua posição de força – professor da Universidade de Columbia, em NY – para divulgar escritores de línguas minoritárias, e a partir daí aumentar o interesse por eles.