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Mubarak falou, deixou uma multidão furiosa, a diplomacia americana com as calças na mão, a opinião pública mundial decepcionada. Mas será que nada mudou no Egito? Um chute: nós, ocidentais, estamos lendo os eventos com um viés de democratização, povo no poder etc etc. O que aconteceu nos últimos dias e horas é que o poder começou a ser passado para a linha dura das forças armadas. Omar Suleiman (já está na Wikipedia!), o novo vice presidente, é envolvido em torturas e agora parece contar com o apoio total do exército (ao menos por agora). Ou seja, ao que tudo indica os desenvolvimentos indicam (repito, nesse momento, 10:30 da manhã de sexta-feira 11/02) um Egito MAIS autoritário, e não mais democrático. Em política, nada é simples: a imprensa está falando muito de como Mubarak está alienando o pouco apoio popular de que dispunha, mas não está dando a atenção devida ao apoio militar que está angariando, fazendo um pacto com o diabo.

Update 14:37 – Hosni Mubarak acaba de renunciar. Renunciou à distância, de Shamr El Sheik – grande demonstração de coragem, para alguém que buscava uma “saída honrosa”. O poder está nas mãos de Suleiman, com o apoio do exército. Duas coisas precisam ser feitas para que eu deixe de pensar como o que está escrito no parágrafo acima: a suspensão do Estado de emergência e a convocação de eleições diretas e abertas.

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O the Onion explica.

Um capítulo interessante da história intelectual do século XX será o de como duas ideologias totalitárias, o fascismo e o comunismo, foram construídas, desconstruídas e apropriadas por contemporâneos e pela posteridade. Nenhuma das duas morreu, apesar de a era de experimentação com ambas ter aparentemente passado. Na Itália e na Áustria o fascismo ainda é uma força, com algum apelo popular, apesar de as institutições, a constituição e a maioria da população serem abertamente contra ele. Na França e na Inglaterra alguns grupos se apropriaram de elementos da ideologia fascista, demaneira mais ou menos aberta, com mais ou menos sucesso eleitoral. No caso do comunismo a coisa é mais complicada, pois a história é mais complicada.

O problema é colocado por uma resenha do novo livro do Hobsbawn por Nick Cohen publicada no Amálgama. Cohen critica Hobsbawn por, entre outras coisas, querer mudar o mundo seguindo uma ideologia associada a tantos massacres. A questão, na minha opinião, é: até que ponto um intelectual deve expiar os crimes cometidos por outros em nome de suas convicções políticas? Até que ponto alguém pode se declarar um “comunista” e continuar em paz com sua consciência, sustentado pela fé de que “da próxima vez vai ser diferente”?

Antes que a direita me festeje e a esquerda me execre, preciso deixar claro que eu não estou condenando o comunismo e nem sou contra partidos comunistas. A questão é muito mais complexa e mais sutil do que isso e, de todo o modo, tendo estudado na UFF nos anos 90 eu fui exposto a uma dose considerável de marxismo e valorização do comunismo, e até hoje ainda não me livrei de minhas simpatias. Uma outra complicação é a distinção entre marxismo e comunismo, pois um representa uma ideologia política e o outro um sistema de pensamento que é uma ferramenta eficaz para a compreensão da realidade (pelo menos em alguns casos).

Mas o que me trouxe a estas considerações foi a resenha de Bloodlands, de Timothy Snyder, na Slate. A resenha (um tanto sensacionalista) é realmente de deixar cabelo em pé. O argumento de Rosenbaun, autor da resenha, é que a fome imposta à Ucrânia foi um genocídio planejado, intencional, e que o canibalismo ao qual parte da população ucraniana foi revertida representa mais um passo na descida da humanidade ao inferno. Um novo truque para nosso repértorio de coisas indizíveis. Não tem como não ficar impressionado com essa passagem:

“One more horror story. About a group of women who sought to protect children from cannibals by gathering them in an “orphanage” in the Kharkov region: ‘One day the children suddenly fell silent, we turned around to see what was happening, and they were eating the smallest child, little Petrus. They were tearing strips from him and eating them. And Petrus was doing the same, he was tearing strips from himself and eating them, he ate as much as he could. The other children put their lips to his wounds and drank his blood. We took the child away from their hungry mouths and we cried.”

O argumento foi retomado por Snyder em um artigo para o blog da NYRB, no qual ele se pergunta quem foi pior, Hitler ou Stalin. Essa é uma pergunta infantil, na minha opinião, mas ao menos nos ajuda a pensar o horror e o mal como coisas concretas, que podem ser mensuradas. E estas coisas não acontecem porque as pessoas são intrinsecamente más (apenas), mas porque existem ideologias que as explicam e justificam. A crítica de Cohen ao livro do Hobsbawn é, por um lado, infantil e rasteira – pensar que o marxismo não pode melhorar o mundo por causa do que Stalin ou Mao fizeram é uma bobagem. Mas em um certo nível ela é certeira: o passado de nossas ideologias faz parte delas também, e não podemos aceitá-las sem lidar com ele.

Um artigo interessantíssimo no Guardian (tirado do Le Monde) comenta os desenvolvimentos urbanísticos de Istambul e suas implicações para os habitantes de lá. O artigo é interessante mas vem fora de um contexto. Istambul é uma das maiores cidades do mundo (mas eu fiquei surpreso com o número de habitantes que eles citam, 30 milhões – deve ter algum erro aí (os dados da Wikipedia são mais realistas, eu acho), ou eles estão considerando uma grandíssima Istambul. Quando eu visitei Istambul a cidade parecia uma típica metrópole de terceiro mundo, só que com muito mais caráter: cheia de gente (um dos povos mais simpáticos que eu já conheci), ruas sujas e estreitas cheias de personalidade, avenidas grandiosas e sem alma, prédios esplendorosos e decadentes, prédios novos e sem graça. Eu cheguei de ônibus vindo da Capadócia, e andar pela rodoviária e pegar o metrô foram experiências bem desagradáveis: sujeira, mutidão, péssimos serviços.

Então é claro que tenho alguma simpatia pela idéia de modernizar os serviços da cidade. Também é uma boa idéia revalorizar a área de Sululuke (foto magnífica aqui). Quando eu estive lá – em 2003 -a área próxima às muralhas de Teodósio II (a maior obra defensiva do mundo antigo, segundo alguns – eu ainda prefiro as muralhas de Roma) era muito degradada, parecendo uma favela. Aliás, era uma favela: fazendo o percurso das muralhas eu pisei em siringas abandonadas no mato, fui assediado (de maneira muito simpática, é verdade) por putas (muitas, cheguei a me achar mais bonito) e só não me senti ameaçado pelos meninos porque Alá protege os idiotas que andam com cara de estrangeiro, máquina fotográfica e caderno de notas em zonas arqueológicas favelizadas. Enfim.

Mas a área era cheia de caráter, e é isso que os desenvolvimentos parecem estar destruindo. Na hora do almoço foi espetacular andar por uma área onde o inglês não existia, visitar mesquitas que não são atração turística (a menos que você goste de arquitetura otomana), tentar me comunicar com vendedores em lojas de alimentos (até hoje não sei o que eu comi, mas era bom. Dizer que é brasileiro sempre ajuda). Os novos desenvolvimentos parece que darão a certas áreas da cidade aquele clima de Barra da Tijuca ou de Berrini/Faria Lima que eu odeio tanto, sem caráter, cheias de filisteus.

Istambul é uma das cidades que mais mudaram no século XX, e não necessariamente para melhor. A obra prima de Orhan Pamuk, Istanbul, é um guia maravilhoso para estas mudanças, e eu me arrependo de não ter lido o livro antes de ir para lá (um artigo interessante sobre isso aqui). Um bom exemplo é a cisterna bizantina de S. Mocius (Constantinopla tinha problemas com o suprimento de água): quase todo arqueólogo que eu conheço mostra as fotos tiradas nos anos 70 por Cyril Mango (talvez o maior bizantinista de todos os tempos, e sem dúvidas o maior dentre os vivos), um campinho de peladas cercado por casinhas de madeira e lata. Uma foto recente mostra um campo de futebol cercado por edifícios de classe média, produto da ‘gentrification’ que já estava em curso.

Porque é que isso é relevante? Sejam 30, 20, ou 10 milhões de habitantes, Istambul é um caldeirão de problemas sociais e religiosos. A cidade é cosmopolita e ocidentalizada, mas ao mesmo tempo é conservadora e ao mesmo tempo um grande centro islâmico. Estas coisas não são contraditórias, e não se entende Istambul sem aprender isso. A experiência que um turista tem de Sultanahmet é muito parcial, assim como é parcial a dos felizardos que visitam as universidades e institutos de pesquisa na cidades. Justamente por sua ocidentalização e crescimento econômico (aliados à pobreza do interior, problemas étnicos e importância geoestratégica), a Turquia é um grande candidato a agitações políticas e religiosas. Numa época em que o mundo islâmico está sendo chacoalhado por demandas populares por mudança, isso deveria colocar Istambul e o imenso país que a cerca no topo das listas de prioridades dos observadores ocidentais.

 

Stephen Colbert consulta um especialista para saber o que vai acontecer  no Egito. Espetacular

[como tem um problema com os vídeos aqui no wordpress, veja o vídeo aqui.]

Como eu havia comentado em post abaixo, de ontem, é impossível prever o que irá acontecer no Egito. É impossível permanecer ‘on top of things’, mas é possível acompanhar os eventos através do caos sonoro do twitter e de jornais como Guardian. O que é claro é que Hosni Mubarak está ignorando toda a pressão dos países ocidentais e da ONU (algo que J. Cole compara à humilhação imposta por Israel a Obama). Para quem acompanha a verdadeira guerra civil nas ruas do Cairo e Alexandria, a situação parece desesperadora. Nicholas Kirstoff, do NYT, está lá, e está blogando sobre o que assiste na praça de Tahrir (vejam também o twitter dele). Isso é relevante, pois um tweet diz que “Egypt arresting journalists — they already got 2 from the NYT — @NickKristof is in Tahrir Sq. — will he get nabbed?” (isso Às 11.30 hora de Brasília).

Tem uma coisa muito relevante aí: apesar de agentes do serviço secreto e da polícia egípcia serem a linha de frente dos criminosos pró-Mubarak, o exército ainda permanece circunspecto. Mubarak tem o apoio de parte da caserma, mas obviamente não de toda: apesar de o exército não estar contra ele, ainda está se posicionando ‘em favor do Egito’. Essa é a janela de oportunidade do povo egípcio, porque quando o exército fechar as portas e se decidir por Mubarak ou por um regime ditatorial, os protestos tenderão a ser debelados de maneira muito mais brutal e eficiente.

Nesse momento, o que pode dar um empurrão no sentido da saída de Mubarak é o governo americano, que manteve o governo egípcio com cerca de dois bilhões de dólares por ano. Já existem apelos nesse sentido na imprensa americana (ok, a Foreign Policy não é exatamente a MSM, mas ao menos alguém diz algo). Falar grosso não vai adiantar, a administração Obama pode tentar influenciar os acontecimento anunciando o congelamento imediato de todo o dinheiro pro Egito até que Mubarak saia do poder e eleições sejam convocadas. As chances disso acontecer são pequenas, e podemos todos estar certo que Israel já está se movendo para impedir isso, com apoio da extrema direita americana (mais – se você tem estômago – aquiaqui e aqui). Mas não só os EUA devem agir: é o momento de Dilma Roussef aproveitar seu zelo pelos direitos humanos, e o Brasil buscar a suspensão temporária do acordo de livre comércio com o Egito, firmado pelo Mercosul em 2010. Desde o governo Lula o Brasil vem ganhando prestígio no Oriente Médio (Irã, Turquia) e o reconhecimento do Estado Palestino mostrou claramente que o Brasil é um aliado do mundo árabe. Esta seria uma ação pequena, diante de tudo o que está acontecendo, mas reforçaria o sinal de que um país razoavelmente pró-árabe está se distanciando do governo egípcio, além de mandar um recado para a burguesia egípcia: esperem perdas.

“The highest fertility rates reliably recorded in the modern world have been among the Hutterite religious community in the United States of America, who have a average family size of about ten.” (R. Osborne, Greece in the Making, 1200-479, Londres: Routledge, 1996, p. 65)

Se isso te animou, pode se preparar: os huteritas (é assim mesmo?) têm uma página na internet. Você pode ver mais deles aqui (literalmente). Mas não se anime muito se sua motivação se resumir a formar seu próprio time de futebol: a coisa parece estar mudando.

San Nicandro é uma cidadezinha no norte da Puglia, mais ou menos no topo do calcanhar da bota italiana. É uma cidadezinha típica dessa parte da Itália: pequena (+/- 16 mil pessoas), ligada aos ritmos da vida rural, especialmente ao pastoreio, e – uma coisa que me fascina – um bom exemplo da excepcional originalidade religiosa do Sul da Itália. Nos anos 1920, um curioso movimento religioso começou naquela comunidade, a conversão de um grupo de pessoas ao judaísmo. Seu líder, Donato Manduzio, era uma espécie de profeta, cujo conhecimento do judaísmo vinha única e exclusivamente da leitura do antigo testamento. Ele não conhecia nenhum judeu, e nem sabia que eles ainda existiam – pelo que ele leu na Bíblia, a maioria parecia ter desaparecido na época do grande dilúvio. A comunidade permaneceu sempre marginal, uma curiosidade, sobreviveu à  dominação alemã (na verdade, entre o momento da primeira ‘queda’ de Mussolini e a tomada do sul da Itália pelos aliados passou-se pouco tempo, o que os ajudou a sobreviver). Mais tarde, a comunidade emigrou para Israel, contra a vontade de seu líder.

Essa história fascinante é contada em um livro, the Jews of San Nicandro, resenhado por Hobsbawn na LRB. Vale a pena ler o artigo de Hobsbawn, fascinante. Não vale a pena repetir aqui o que ele escreveu (mais do que eu já fiz no parágrafo acima), mas vale a pena apontar para uma coisa que eu acho interessante, uma limitação do grande historiador inglês. Na resenha, Hobsbawn trata o movimento do ponto de vista de alguém interessado em movimentos sociais, bem sucedidos ou não. O movimento de Manduzio é fascinante, mas eu tenho minhas dúvidas sobre até que ponto pode ser chamado de um ‘movimento social’, nos moldes do Hobsbawn. Digo isso porque é óbvio – mesmo para quem não leu o livro – que a questão religiosa é crucial para entender esse movimento, mas ela não interessa a E.H.

O Mezzogiorno é uma das áreas mais interessantes da Europa. Não só por sua história, mas por seus radicalismos. A religião exerce um papel crucial nisso aí. Carlo Levi observou (um tanto preconceituosamente, eu acho) que aquela é uma civilização diferente da que ele conhecera no norte/centro da Itália, e a religião é importante nisso aí – como ele mesmo nota. Não dá para explicar o Sul da Itália sem entender o papel da religião aí, e não dá para entender seus loucos movimentos sociais sem entender suas inspirações religiosas.

ps: para quem tem interesse no assunto, além do livro de Levi, tem um artigo excelente (e não muito antigo) na Past and Present 187, de 2005, de James S. Amelang, usando o Mezzogiorno como estudo de caso para discutir os riscos do uso excessivo de teorias antropológicas sobre religião.

Ainda é cedo para dizer o que vai acontecer no mundo islâmico. Ao que tudo indica, a agitação que derrubou o governo na Tunísia se espalhou por outros regimes, alguns bem consolidados, como Egito e Jordânia, outros nem tanto, como a Síria e Líbano. Essa é uma daquelas situações nas quais o analista fala o que for, correndo o risco de ser desmentido no dia seguinte. Existem boas análises dos eventos no Egito, por exemplo no Todos os Fogos o Fogo. Mas existem outras questões mais interessantes, mais amplas, e – eu acho – que terão repercussões mais duradouras:

1. Até que ponto este é um movimento geral das sociedade islâmicas? Eu estava descrente no início, mas a dimensão dos acontecimentos no Egito me fez rever minha posição. O Egito é grande e importante demais, e o que aconteceu lá (mesmo que, em uma hipótese agora pouco provável, dê em nada) acabou ampliando os horizontes do possível para os agentes políticos no OM. A realeza da Jordânia já anunciou reformas, procurando se antecipar a possíveis problemas. Se o governo egípcio for derrubado de maneira mais enfática do que um anúncio de não concorrer nas próximas eleições, aí ninguém sabe o que pode acontecer MESMO.

2. Mas afinal, que movimento é este? Está claro que esse não é um movimento de radicais islâmicos odiando o ocidente, apesar de isso poder existir em maior ou menor grau. Juan Cole publicou um post excelente hoje, desmontando as comparações com o Irã em 1979 (vale a pena a leitura). Seria esse um movimento democrático, uma primavera dos povos? Ainda estou esperando ler comparações com 1848, ao invés de 1989, mas enquanto espero quero deixar registrado: a democracia é um valor árabe, e por extensão muçulmano. Eu não sou um especialista nesse assunto, e espero que algum comentarista me esclareça sobre isso, mas tradicionalmente as ‘polities’ islâmicas são caracterizadas por lideranças fracas, que dependem do apoio de segmentos diversos da sociedade. As ditaduras no OM são justamente uma resposta a isso: financiados por petrodólares ou (no caso Egípcio) diretamente pelos EUA, ditadores usaram o exército como base de seu poder. Não é a democracia grega, nem a dos neocons.

3. O que esperar dos exércitos e dos EUA? Eu jurava que os EUA iriam se acovardar e ficar quietos, enquanto o exército egípcio iria encenar ‘tiannamen 2, a revanche’, mas isso não está acontecendo. Os EUA não vão abandonar Mubarak abertamente, mas já deixaram claro que ele não terá seu apoio para reprimir as manifestações – e ele não o fez, ao menos abertamente (apesar de ao que tudo indica ele estar fazendo isso por baixo dos panos). Foi o que o governo iraniano fez em 2009. Agora, no entanto, as coisas parecem ter mudado de figura: apesar de Mubarak ter vendido a alma para as forças de segurança, apontando um homem forte, parece que o exército hesita em intervir.

4. O que eu espero: sim, haverá mudança de governo. O Depto de Estado americano, segundo o Guardian, está pressionando para que as mudanças comecem agora. Parece que as lideranças religiosas no Egito não são tão fortes quanto no Irã em 79, para sequestrar os movimentos. O Egito depende muito mais do Ocidente do que o Irã, o que deve facilitar a manutençao do diálogo entre qualquer governo que seja instaurado e o Ocidente. Mais interessante é o que vai acontecer com Israel, que irá perder um de seus poucos apoiadores no OM: curiosamente, acho que isso será bom para o processo de paz e o encaminhamento da questão palestina, mas isso é assunto para outros posts. Agora, só nos resta esperar: posts no twitter, #Egypt, mencionam muita gente morta por grupos pró-governo.