Mubarak falou, deixou uma multidão furiosa, a diplomacia americana com as calças na mão, a opinião pública mundial decepcionada. Mas será que nada mudou no Egito? Um chute: nós, ocidentais, estamos lendo os eventos com um viés de democratização, povo no poder etc etc. O que aconteceu nos últimos dias e horas é que o poder começou a ser passado para a linha dura das forças armadas. Omar Suleiman (já está na Wikipedia!), o novo vice presidente, é envolvido em torturas e agora parece contar com o apoio total do exército (ao menos por agora). Ou seja, ao que tudo indica os desenvolvimentos indicam (repito, nesse momento, 10:30 da manhã de sexta-feira 11/02) um Egito MAIS autoritário, e não mais democrático. Em política, nada é simples: a imprensa está falando muito de como Mubarak está alienando o pouco apoio popular de que dispunha, mas não está dando a atenção devida ao apoio militar que está angariando, fazendo um pacto com o diabo.

Update 14:37 – Hosni Mubarak acaba de renunciar. Renunciou à distância, de Shamr El Sheik – grande demonstração de coragem, para alguém que buscava uma “saída honrosa”. O poder está nas mãos de Suleiman, com o apoio do exército. Duas coisas precisam ser feitas para que eu deixe de pensar como o que está escrito no parágrafo acima: a suspensão do Estado de emergência e a convocação de eleições diretas e abertas.