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Stephen Colbert consulta um especialista para saber o que vai acontecer  no Egito. Espetacular

[como tem um problema com os vídeos aqui no wordpress, veja o vídeo aqui.]

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“The highest fertility rates reliably recorded in the modern world have been among the Hutterite religious community in the United States of America, who have a average family size of about ten.” (R. Osborne, Greece in the Making, 1200-479, Londres: Routledge, 1996, p. 65)

Se isso te animou, pode se preparar: os huteritas (é assim mesmo?) têm uma página na internet. Você pode ver mais deles aqui (literalmente). Mas não se anime muito se sua motivação se resumir a formar seu próprio time de futebol: a coisa parece estar mudando.

Ainda é cedo para dizer o que vai acontecer no mundo islâmico. Ao que tudo indica, a agitação que derrubou o governo na Tunísia se espalhou por outros regimes, alguns bem consolidados, como Egito e Jordânia, outros nem tanto, como a Síria e Líbano. Essa é uma daquelas situações nas quais o analista fala o que for, correndo o risco de ser desmentido no dia seguinte. Existem boas análises dos eventos no Egito, por exemplo no Todos os Fogos o Fogo. Mas existem outras questões mais interessantes, mais amplas, e – eu acho – que terão repercussões mais duradouras:

1. Até que ponto este é um movimento geral das sociedade islâmicas? Eu estava descrente no início, mas a dimensão dos acontecimentos no Egito me fez rever minha posição. O Egito é grande e importante demais, e o que aconteceu lá (mesmo que, em uma hipótese agora pouco provável, dê em nada) acabou ampliando os horizontes do possível para os agentes políticos no OM. A realeza da Jordânia já anunciou reformas, procurando se antecipar a possíveis problemas. Se o governo egípcio for derrubado de maneira mais enfática do que um anúncio de não concorrer nas próximas eleições, aí ninguém sabe o que pode acontecer MESMO.

2. Mas afinal, que movimento é este? Está claro que esse não é um movimento de radicais islâmicos odiando o ocidente, apesar de isso poder existir em maior ou menor grau. Juan Cole publicou um post excelente hoje, desmontando as comparações com o Irã em 1979 (vale a pena a leitura). Seria esse um movimento democrático, uma primavera dos povos? Ainda estou esperando ler comparações com 1848, ao invés de 1989, mas enquanto espero quero deixar registrado: a democracia é um valor árabe, e por extensão muçulmano. Eu não sou um especialista nesse assunto, e espero que algum comentarista me esclareça sobre isso, mas tradicionalmente as ‘polities’ islâmicas são caracterizadas por lideranças fracas, que dependem do apoio de segmentos diversos da sociedade. As ditaduras no OM são justamente uma resposta a isso: financiados por petrodólares ou (no caso Egípcio) diretamente pelos EUA, ditadores usaram o exército como base de seu poder. Não é a democracia grega, nem a dos neocons.

3. O que esperar dos exércitos e dos EUA? Eu jurava que os EUA iriam se acovardar e ficar quietos, enquanto o exército egípcio iria encenar ‘tiannamen 2, a revanche’, mas isso não está acontecendo. Os EUA não vão abandonar Mubarak abertamente, mas já deixaram claro que ele não terá seu apoio para reprimir as manifestações – e ele não o fez, ao menos abertamente (apesar de ao que tudo indica ele estar fazendo isso por baixo dos panos). Foi o que o governo iraniano fez em 2009. Agora, no entanto, as coisas parecem ter mudado de figura: apesar de Mubarak ter vendido a alma para as forças de segurança, apontando um homem forte, parece que o exército hesita em intervir.

4. O que eu espero: sim, haverá mudança de governo. O Depto de Estado americano, segundo o Guardian, está pressionando para que as mudanças comecem agora. Parece que as lideranças religiosas no Egito não são tão fortes quanto no Irã em 79, para sequestrar os movimentos. O Egito depende muito mais do Ocidente do que o Irã, o que deve facilitar a manutençao do diálogo entre qualquer governo que seja instaurado e o Ocidente. Mais interessante é o que vai acontecer com Israel, que irá perder um de seus poucos apoiadores no OM: curiosamente, acho que isso será bom para o processo de paz e o encaminhamento da questão palestina, mas isso é assunto para outros posts. Agora, só nos resta esperar: posts no twitter, #Egypt, mencionam muita gente morta por grupos pró-governo.

Não, esse não é um post para expor minha visão contundente e super cheia de insights sobre o Wikileaks ou seu guru-mor, Julian Assange. Essa opinião, o dia em que eu formar, eu discuto aqui. É só para linkar o interessantíssimo (e longuíssimo) artigo deBill Keller, editor executivo do New York Times, sobre as relações do NYT com a organização de Assange. Cheguei aí via o Daily Dish, que tem um post que (para variar – acho que porque Sullivan está de férias) defende o NYT. Na época dos vazamentos dos documentos diplomáticos muita gente boa ficou de má vontade com o Times (às vezes exagerada, apesar de não injustificada), mas o artigo (apesar de obviamente parcial) é interessante até por isso: por apresentar as razões para o comportamento do NYT.

Hoje, 25 de Janeiro, comemora-se o aniversário de Robert Burns, genial poeta nacional escocês. O Guardian tem uma matéria sobre o prato preferido de Burns, o Haggis. Eu escrevi algo sobre essa data e esse prato alguns anos atrás (na versão 1.0 do Amiano Marcelino). Em homenagem a Burns, e aos bebedores de whisky (acostumados a ver tudo dobrado mesmo), reproduzo aqui:

Hoje é o aniversário do poeta Robert Burns (nascido em 1759), o “bardo nacional escocês”. Burns escreveu poemas sobre diversos aspectos da vida escocesa, e é muito popular na Irlanda, Irlanda do Norte e Inglaterra. É claro que meu interesse aqui não é poesia, mas sim a celebração do aniversário, que normalmente envolve festas, jantares, e leituras de sua obra.

Em 2002, logo que eu voltei do Brasil pra Oxford (depois do Natal), meu orientador me convidou para almoçar no seu college. Lá chegando, quando vimos a comida, ele abriu um sorriso enorme e falou “Hoje é dia de Haggis!! É o aniversário de Burns!”. Ele então descreveu o tal Haggis, o prato que teríamos pro almoço, e eu não entendi nada. Comi feliz, tinha gosto de carne moída, e até gostei. Achei estranho que todos os fellows do college estavam bebendo whisky, e ele me ofereceu uma dose – é claro que eu recusei, está pensando o quê, quer me testar? A gente ia ter uma reunião logo depois do almoço!

Bom, é claro que depois fui me informar, e descobrir que Haggis, o prato preferido de R.B., consiste de miúdos de carneiro cozidos com cereais diversos, ervas, temperos, tudo dentro do ESTÔMAGO do carneiro! Só aí eu entendi o porquê do whisky – não tem nada a ver com Burns ser escocês, mas é para desinfetar a boca depois de comer essa gororoba! É claro que depois disso nunca mais me aventurei a comer Haggis, apesar de ter gostado do sabor. Mas da próxima vez será com whisky. [Depois de ter escrito isso já voltei a comer outras vezes, e posso afirmar: é uma delícia. Na Escócia você pode comer até Haggis fritters, que são fantásticos. Ah sim, o whisky realmente realça o sabor do prato, como o vinho faz para outros]

Anyway, a BBC tem uma página especial sobre a Burns Night, com muita informação. Para quem quer saber mais sobre Burns, existe uma enciclopédia online aqui , como toda a sua obra [o link não está mais funcionando, infelizmente; mas tem a wikipedia]. Por fim, para quem quer saber mais sobre a fina iguaria escocesa, tem um verbete na Wikipedia, com receita e história (aqui).

Enquanto eu digitava estas linhas, Terry Wogan, meu apresentador preferido na BBC 2, leu o seguinte poema, de Robert Burns [o Wogan já se aposentou – eu to velho, mesmo]:

Address To A Haggis

1786
Type: Address

Fair fa’ your honest, sonsie face,
Great chieftain o’ the pudding-race!
Aboon them a’ yet tak your place,
Painch, tripe, or thairm:
Weel are ye wordy o’a grace
As lang’s my arm.

The groaning trencher there ye fill,
Your hurdies like a distant hill,
Your pin was help to mend a mill
In time o’need,
While thro’ your pores the dews distil
Like amber bead.

His knife see rustic Labour dight,
An’ cut you up wi’ ready sleight,
Trenching your gushing entrails bright,
Like ony ditch;
And then, O what a glorious sight,
Warm-reekin’, rich!

Then, horn for horn, they stretch an’ strive:
Deil tak the hindmost! on they drive,
Till a’ their weel-swall’d kytes belyve
Are bent like drums;
Then auld Guidman, maist like to rive,
Bethankit! hums.

Is there that owre his French ragout
Or olio that wad staw a sow,
Or fricassee wad make her spew
Wi’ perfect sconner,
Looks down wi’ sneering, scornfu’ view
On sic a dinner?

Poor devil! see him owre his trash,
As feckles as wither’d rash,
His spindle shank, a guid whip-lash;
His nieve a nit;
Thro’ blody flood or field to dash,
O how unfit!

But mark the Rustic, haggis-fed,
The trembling earth resounds his tread.
Clap in his walie nieve a blade,
He’ll mak it whissle;
An’ legs an’ arms, an’ hands will sned,
Like taps o’ trissle.

Ye Pow’rs, wha mak mankind your care,
And dish them out their bill o’ fare,
Auld Scotland wants nae skinking ware
That jaups in luggies;
But, if ye wish her gratefu’ prayer
Gie her a haggis!

1. Um artigo de David Brooks sobre o livro de Amy Chua, a ‘tiger mother’ da China. Como alguém interessado em educação em geral (ossos do ofício) e pai de um baixinho desafiador, fiquei muito interessado nas idéias dela. Como alguém que por um bom tempo teve contatos intensos com a China (visitas, família morando lá) e ficou fascinado pelo país, fiquei mais interessado ainda. Falando de um ponto de vista estritamente ocidental, acho o livro dela uma bobagem a ser esquecida. Mas do ponto de vista de um curioso pela China, parece ser leitura fascinante, por condizer com tanto do que vi por lá. David Brooks foi o único crítico, dentre os que eu li, que acertou na mosca – mas não levou suas conclusões até onde devia. O método de Chua não prepara as filhas para pensar independentemente, não prepara as filhas para interagir criticamente com um grupo. Ele diz que estas são aptidões cognitivas cruciais, e conclui dizendo que o método dela é fraco (she´s a wimp) porque não prepara as crianças para as tarefas mais desafiadoras da vida em sociedade. Sim e não. Falando do ponto de vista de um americano, brasileiro ou europeu, ele está certo. Mas historicamente a sociedade chinesa não se desenvolveu assim. Não estou falando de cartas persas, nem de um espírito despótico oriental. Mas o governo e a sociedade por lá (eita generalização…) valorizam e recompensam gente que cumpre suas tarefas de maneira ótima, que se encaixam no grupo (e não que criticam o grupo) de forma ótima.A educação de Amy Chua é durkheiminiana (não no sentido de que Durkheim pensava assim, mas de que ele descreveu determinadas sociedades assim), visa reproduzir, fazer funcionar de maneira eficiente/eficaz e aperfeiçoar o status quo. A de David Brooks é iluminista, só não chamo de rousseauniana porque Brooks pessoalmente se remeteria aos fundadores da República americana, e não tem porque enfiar Rousseau goela abaixo de um cara que não pensa assim.

2. O curioso é que existem pressões em nossas sociedades ocidentais (e o plural aí é relevante) para que eduquemos nossos estudantes de maneira ‘chinesa’. Esse é o tema de uma coluna de Terry Eagleton no Guardian de alguns dias atrás. O ensino das humanidades é fundamental para que as pessoas pensem por si próprias, para que queiram mais do que simplesmente inventar um novo controle remoto, ou um meio de produzir energia mais eficiente. As pessoas precisam aprender a pensar suas sociedades, a engajar com elas, a melhorá-las, tornando-as mais justas, belas e moralmente melhores. Na minha opinião as humanidades se ferram nesse debate, mas não é porque o que elas fazem é controverso, e sim porque o que elas fazem é algo que todo mundo aceita e ninguém discute. Apatia e desinteresse são o resultado. Eu entrei numa confusão 15 anos atrás, digna deste livro do Philip Roth, quando eu justifiquei estar lendo Homero com alunos da 5a série dizendo que o que nos separa dos macacos é a literatura grega. É óbvio que isso é um exagero, e eu estava querendo briga mesmo, mas a pessoa com quem eu estava discutindo (uma pedagoga, ou seja, não era uma filistina qualquer) se sentia confortável o suficiente para dizer que aquilo era difícil demais e não era importante para crianças estudando a civilização grega. Eu ganhei a discussão (“não é meu problema se a senhora e os pais não entendem Homero, meus alunos entendem”), as crianças já tinham esquecido quem era Homero alguns meses depois, mas nos divertimos muito lendo trechos da Ilíada (e quem não se divertiria?).

3. Isso me leva ao meu último ponto: que universidade queremos? A gente costuma debater universidade, inclusive nesse blog, em termos de financiamento, algumas vezes em termos de formação de professores, mas eu estou cada vez mais convencido de que a questão chave é o tipo de aluno que queremos formar. O aluno crítico, dotado de uma formação sólida, de uma visão humanística, esse não vai sair de turmas de 100 alunos de um instituto de ciências humanas. Se for esse o aluno que queremos (e que eu não fui), precisamos de turmas pequenas, de mais horas de aula (faculdade de história em 4 horas por dia durante 4 anos?) e de universidades que se dediquem a expandir horizontes ao mesmo tempo que a informar. Minha universidade, que parece ótima em muitos aspectos (estou começando), adotou a estratégia de criar institutos em diversos campi: humanas aqui, medicina ali, ciências acolá. O problema é que cada vez mais o cidadão crítico precisa saber geografia para entender a tragédia da região serrana do Rio, precisa saber ciências para decidir o que pensa sobre o aquecimento global, história do Brasil para votar contra ou a favor da política de quotas. Se não fica prisioneiro de editoriais de jornais de direita, de slogans pseudo-marxistas do barzinho do DCE. No caso das humanas, estamos criando institutos técnicos em humanidades (e mesmo assim insuficientes, porque são poucas horas, poucas disciplinas).

Mas o problema é que não está claro para mim (e nem para ninguém) que queremos esse estudante crítico. O debate na imprensa (mesmo aquela mais à esquerda) valoriza a mão de obra para a fábrica, o fermento do Brasil grande. Isso é ilegítimo? É claro que não, mas é uma escolha diferente da minha – e do discurso mais visível nas próprias universidades. Se alguém disser que a faculdade de História (ou de Letras, ou de Geografia) visa formar professores para atender a demanda reprimida por educação básica no país, que ela tem que ser que nem uma fábrica de boa qualidade mas produzindo em série, como discordar? Existe a demanda, ela é um gargalo, e isso tem que ser resolvido. Se a maioria de nossos estudantes tem que trabalhar para estudar, porque estudar é um privilégio, como argumentar em favor de um curso de História de tempo integral? Tem na Unicamp, mas tem nas outras? Cabe nas outras?

O The Onion explica:


De Paul Krugman, em um post estabelecendo as regras para comentários em seu blog:

“Get your insults right. There is, I believe, a fair bit of evidence against the hypothesis that I’m stupid. What you mean to say is that I’m evil.”

Não, não é só o temporal aqui em São Paulo não (esse também vem). É o arrebatamento final, o rapture. Dia 21 de Maio, mesmo dia do aniversário do Amianinho, que este ano vai ficar sem presente. Se Deus fosse misericordioso mesmo, seria dia 20, e eu também não teria que comprar presentes pra Sra Amiano. Acho que os fanáticos cristãos não aceitaram ser batidos pelos Maias (uma religião já extinta, afinal de contas) na corrida pelo apocalipse. Se você não acredita, olhe ao seu redor: os sinais já começaram a aparecer.

A Amiano Marcelino corporation começa a espalhar seus tentáculos. A Internacional Amianesca acaba de fazer uma joint-venture com o Amalgama, e a partir de agora serei um colaborador ocasional de lá. Começamos com o post sobre o caso Battisti, que publiquei mais abaixo, mas daqui em diante produzirei material inédito pra lá.